Eu gostaria de ser como a Fênix que renasce das cinzas, mas Fênix não existe e cinzas não se refazem. Preciso me conformar, aceitar que o tudo é somente cinzas e meu mundo caótico assim sempre será.
Temer é a palavra certa pra quem tem algum escrúpulo, mas pra quem não tem, o agora, o depois e outrora se tornam insignificantes. Entende-se que morrer é necessário e acolhe-se isso sem medo.
Mas isso, isso não afeta de maneira alguma seu comportamento, não faz com que você seja bom e compreensivo, te faz cometer os mesmos erros, te faz praticar a ignorancia. A consciência existe porém ela está dopada e você vive sua vida FELIZ como se não soubesse de nada.
Ai ela acontece e então decepção, dor e culpa acordam de um sono profundo, o sono que vc jamais terá, o sono dos justos.
É engraçado falar de morte quando ao sentar nesta cadeira e olhar pra esta tela, o escrevedor desprovido de talento que aqui subescreve seus pensamentos, na verdade mascara sua real intenção, foge da verdade por não saber como explicá-la ou por temer a reprovação do público e acabar misturando-se aos tomates podres arremessados pela incompreensiva platéia.
O amor, essa era sua real intenção, porém era tarde demais pra revelar a verdade, seu amado público não dá uma segunda chance, pois aprendeu com seu carrasco professor, A VIDA, a não creditar alguém que desagrada na primeira oportunidade.
O amado público o julga por sua tentativa desesperada de integração, o riso de escárnio de alguns é o seu próprio pranto e no final das contas, a real intenção do escritor se torna a melhor piada para o leitor.
O amor é doce, pra quem nunca o conheceu.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Me leva lá? ;D
Ah! Lágrimas do riso que me vertem involuntariamente dos olhos ao presenciar cenas estúpidas de uma vida estraçalhada. Tudo minuciosa, constante e imperdoavelmente planejado, como num jogo de estratégia, onde o inimigo é o mundo e seu aliado é a sua hipocrisia.
Defender uma doutrina cristã, uma postura, um caráter, HAHAHA! Defender esta adornada e entalhada de pedras preciosas religião, que quando de ti desprende e é atraída pelo chão lamacento de lama que de seus pés vertem, sujeira que o seu caráter imundo conserva. VAMOS, defendamos nossa crença em um Deus que há muito está morto, se é que um dia esse ser do SUPER PODER já existiu.
UAU, muito estimulante ter uma religião, uma igreja da qual você transgride TODAS as regras, uma igreja impossível que prega a PERFEIÇÃO esquecendo-se que ‘alfabetiza’ HUMANOS e que humanos NÃO SÃO PERFEITOS. Humanos erram, humanos mentem, humanos matam, humanos traem.
É muito bom crer em algo, ainda mais se este algo te absolve dos seus erros mais SUJOS. Afirmar que errou porque é HUMANO? NÃO! Errou porque seu caráter é falho, porque você é FRACO.
Prostrar os joelhos na almofada algodoada de veludo, se apoiar em cetim, ISSO É PEDIR PERDÃO? Quem quer ser desculpado vai atrás e conserta o erro, não fica no conforto de uma almofada, falando pra um suposto carrasco representante de um cara que mora LÁ EM CIMA, sendo este ‘representante’ muitas vezes mais corrupto que a sua capacidade de ser bom.
EU defendo a MINHA igreja porque ela diz que devemos ser HONESTOS, JUSTO, FIÉIS! VALVULA DE ESCAPE!
Ao menos EU não sou hipócrita
e tenho a capacidade de reconhecer que eu erro porque sou FRACA, porque minhas falhas de caráter são GRANDES, se eu quero um perdão, eu vou morrer tentando, porque PERDÃO NÃO EXISTE, embora tal agressor seja desculpado, a marca daquela traição fica pra sempre. NÃO! Me recuso a usar de uma trindade pra não ter que pedir desculpa, NÃO prometo a ela NUNCA MAIS COMETER TAL FALHA.
Minha igreja é o ceticismo, meu confessionário o riso e minha absolvição INEXISTE! ;)
domingo, 15 de agosto de 2010
E.R.R.O
Absorva, porque abstrair não se pode
Abstraia quando não se pode adquirir
Adquira por que não se pode desperdiçar
E desperdice sem nunca jamais reconsiderar
Sinta, sibile, sorva, satirize, silencie.
Raciocine, reabasteça, recorde, reformule.
Jamais permita que a clareza súbita
faça com que você sinta-se temeroso
Compreenda enquanto seu cérebro permite
Duele, sobretudo enquanto sua espada sobrepuja em coragem.
Abstraia quando não se pode adquirir
Adquira por que não se pode desperdiçar
E desperdice sem nunca jamais reconsiderar
Sinta, sibile, sorva, satirize, silencie.
Raciocine, reabasteça, recorde, reformule.
Jamais permita que a clareza súbita
faça com que você sinta-se temeroso
Compreenda enquanto seu cérebro permite
Duele, sobretudo enquanto sua espada sobrepuja em coragem.
Compreensão subita me assusta, sobretudo quando ela faz do ódio entendimento, talvez inexplicável evolução. Ou seria o desapego, a extinção de qualquer sentimento positivo adornado de rancor, rancor este que te era o motivo de jamais esquecer, de ter a sua mente para sempre presa na mente daquele maldito ingrato.
Ex-amizamor, ex-amorancor, ex-examor, ex-rancor.
No hoje só nos resta a sensação de que um dia isso foi algo bom, mas que alguém inconsequentemente ou talvez sabiamente defenestrou.
domingo, 20 de junho de 2010
(impo)Tente
Dias, malditos dias, onde a calmaria é prenúncio do fim. Vontades esvanecidas, perdidas. O fardo da vida que torna-se cada vez mais pesado...
Minhas costas curvadas já não suportam mais carregar, minha alma padece, meu corpo apodrece. Não quero mais, não quero pessoas, não quero futuro, não quero presente, não quero passado, não quero VIDA.
Meu peito dói mas a dor se torna tão insignificante perante a grandeza de todas as outras coisas que eu me sinto ridícula apenas pelo fato de sentir.
Mas hoje eu vou ser ridícula por mim mesma, não vou usar os outros, hoje sou só eu.Eu e o tempo.
Eu e a impotência.
Eu e a solidão.
Eu e a dor.
Eu e a morte.
A morte e eu.
Só eu.
Porque o precipício para a qual eu deveria estar caminhando não existe mais, estar vivo é punição melhor.
Gritos, revoltas, loucuras, grito, dor, loucura, solidão.A fase de desespero é a última sobriedade (ou deveria ser), mas aqui neste mundo cintilante, apitante, sufocante; a sobriedade não te abandona, ela é a sua mais insensata loucura.
Eternamente louco, constantemente sóbrio.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Who?
Ah se eu tivesse o tempo que um dia eu tive. Eu me prometi nunca mais fazê-lo mas se eu fosse capaz de cumprir esta promessa eu não saberia mais quem sou eu.
Palavras me faltam e sempre irão me faltar, porque elas morreram.
Um fim precoce, desnecessário.
Gestos, atitudes, tanto que eu poderia e deveria ter feito, hoje o alheio é meu lar, minha melhor recordação, daquilo que foi espezinhado por mim. Sorrisos, tristeza, caras e bocas, apenas estranhos.
Mas estranhos tão familiares. Você como um todo já não há, mas minúsculas partes suas no todo alheio faz dos diversos alheios o meu todo de você.
Como milhões de ladrilhos brilhantes de um todo explodido, desfigurados, agregados a um todo de um tolo qualquer.
Hahahahahahahaha
É engraçado porque no passado as descrições arrancavam sonoras gargalhadas, hoje apesar de não ter do que rir, quem descreve sou eu e o descrito é você.
Porque o eu não tem mais você.
Porque o nós não tem sem você
Por que vós não sois mais você.
Porque você?
domingo, 23 de maio de 2010
“Educassão, Brazil”
Num país onde o ensino é analfabeto, os alunos aprendem que a escola não oferece futuro a ninguém e buscam nas ruas o diploma de sobrevivência. Professores despreparados é conseqüência do descaso da educação, onde custa mais barato sustentar um país de analfabetos, que sem discernimento vão aceitando passivamente os desejos individuais de seus governantes.
No quadro negro da vida lê-se: País de analfabetos, políticos espertos. Assim então, como pecuaristas, vão criando seus currais eleitorais, alimentando de fome e capim as crianças, ou melhor, os bezerros, que sem leite para tomar, bebem a ignorância e se lambuzam de estupidez.
No vestibular do desenvolvimento é preciso aprender o abecedário do progresso e ensinar que educação é sinônimo de consciência, mas num país de miséria o alfabeto tem quatro letras: FOME.
Aprendemos a escrever o futuro soletrando esperança, mas ainda há páginas a serem escritas. Hoje a situação nos mostra que políticos são a caneta e escrevem a história do país, e em seus livros podemos ler: SUBDESENVOLVIMENTO E MANIPULAÇÃO.Se pudermos pelo menos escrever nas urnas a nossa união, seremos a borracha e vamos apagar esse “Brazil”, que até hoje foi escrito com Z e receber então o diploma de nação.
-MÃOS AO ALTO!
-É UM ASSALTO?
-DÊ-ME OS LIVROS!
-POR QUE ISSO? NÃO QUER A CARTEIRA?
-QUE BESTEIRA, NÃO SOU BANDIDO!
-O QUE VOCÊ É ENTÃO?
-POLÍTICO!
Autoria: Mário Paternostro
domingo, 7 de março de 2010
Tantos risos combinados e descombinados, palhaçadas alheias sem graça qualquer.
Um palhaço ao centro do palco, um coro escarnecedor, salvas de palmas.
É engraçado que a companhia nos traz o ar da graça. Ver outro alguém acompanhado rindo de algo que você achaRIA engraçado é revoltante, assim como achar revoltante é inexplicável pq vc não tem direitos autoriais sobre o riso, a piada ou o que quer que seja.
OU
Ser algo diferente de você mesmo e entrar na brincadeira e rir insanamente. Rir da coisa mais insignificante apenas por cortesia aos seus amigos(?!). Ou até mesmo ser o palhaço e fazê-lo com perfeição, ser o motivo do riso e não se importar com isso.
Como eu gostaria de ser tão hipócrita, ah como eu gostaria de ter mil máscaras com entalhes brilhantes diferentes pra cada ocasião.
HAHA.
Tem gente que consegue ser sem nem mesmo saber que é.
Mas não o ser me faz totalmente indisposta a pronunciar minha opinião por que esta será retransmitida por uma boca imunda que faz com que minhas observações mais obscuras pareçam composições de música clássica.
E o meu papel original de vilã é substituído pelo da mocinha desarmada e inocente.
O tempo aquele que me aproxima da morte a cada milésimo de segundo, eu que me perco dele, eu que me perco nele. O desespero caminha sorrateiramente ao meu lado, como querendo me possuir e eu nem sempre disponho de forças para expulsá-lo, deixe que me possua, que me consuma, que me extinga.
Deixe que a razão me falte, que minha determinação pereça e que finalmente o chão se abra sob meus pés e que a terra me tome e faça de mim parte dela.
Pra que dela e de mim nasçam outras vidas que façam algum sentido, o sentido que a minha jamais ousou encontrar, perseguir, realizar.
Que a nova vida que brota não seja abençoada com desgraça semelhante à minha própria.
Se não por que nascer? Mais um coração gélido, morto, inutil.
Mais sonhos acumulados na grande caixa de descartes da vida.
Mais escuridão assombrando dias que deveriam resplandecer de luz.
Mais verdade contaminando os pensamentos outrora felizes dos tolos.
Mais lacunas surgindo onde antes predominava o saber, a verdade.
Diversos tipos de caos, todos com a finalidade de mostrar ao cego os primeiros raios de luz uma luz que na verdade é a escuridão.
Que o mundo me expulse enquanto ele pode fazê-lo...
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Ou?
Mesmo que você seja livre você se sente sufocado, como se tivesse uma coleira muito, muito apertada ao redor do pescoço presa em uma corrente invisível, impossível, que te aprisiona naquele lugar ao relento.
Enquanto a chuva cai e te faz sentir na pele cada gota de umidade, te deixando desconfortável como um gato tomando banho.
Além disso, cada raio de sol que te toca, é como se estes abrissem fendas que se iniciam na superfície e se aprofundam a ponto de transpassar pele, músculos, ossos e musculos e pele novamente; te deixando tão cheio de buracos quanto um queijo suiço.
É como se as alterações climáticas refletissem a fúria na sua pele desprotegida e sensível. Mas não é bem esse o ponto.
Porque escolhas não são coleiras e situações não são um reflexo do próprio sol/chuva contra as alterações ambientais induzidas pelo homem na sua pele que apenas carrega a culpa parcial por tudo.
Talvez o próprio culpado seja você, um maldito masoquista que não perde qualquer oportunidade de adquirir um hematoma, ou de espalhar um vidro de ácido concentrado na sua pele só pra ver o quão rápida é a ação corrosiva dele. Ou seja, visualizar cenas do teu ex-presente, o que poderia ter sido se...
O quão diferente seria se existisse tolerância, alias, um bom bocado de tolerância.
Ainda não é o ponto.
Olhar pras pessoas felizes e não entender de onde essa felicidade seria possível, porque ela não é verdadeira, não pode ser. Ou...
Ser tão pateticamente satisfeito por nada.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
É realmente engraçado que, embora tudo esteja girando, em movimento, ao seu redor, você se sinta amorfinado, anestesiado de qualquer coisa que te ligue a este mundo. A sensação de entorpecência é tão agradável que tocar a realidade torna-se inimaginavelmente cruel.
Quando se sente a anestesia menos potente, o desespero se torna gritante, implorativo, pra que seja administrada uma dose maior de veneno. Por que o veneno dentro do organismo é mais confortável do que a agonia em relação à cruel realidade. Se necessário, até a morte tem permissão pra entrar se isso o certificar de que a realidade não vai te tocar, te alcançar.
MORTE - uma fuga, uma saída, bem mais confortável do que sentir o latejar da ferida de enorme extensão, a ganhar mais terreno a cada momento, embora invisível aos olhos.
Dor, potente e crescente é o que se espera da realidade.
Ah, se houvesse chance qualquer de mudança...
Qualquer promessa que fizesse ao menos esperança brotar, qualquer promessa que fizesse da realidade uma visão menos horrenda, mas promessas não podem sustentar realizações. Infelizmente.
Pobres Promessas, feitas, desfeitas, quebradas. Correntes transpassadas, momentaneamente, para nos sentirmos exuberantemente seguros, sem sabermos que estas são tão finas quanto um retrós, que se rompe com mínima pressão.
Promessas são as que te dividem e te tornam dois imãs, com efeito de atração opostos, dois imãs que se repelem, impossibilitados de conviver em harmonia. Um quer acreditar que pode, o outro vibra de horror com a mínima possibilidade de deixar acontecer.
Expectativas pelo cumprimento dessas promessas que entram sorrateiramente por entre suas defesas e te deixam fraco.
Promessas, doces promessas.
Mas nada pode tornar a dor da realidade menos aguda exceto sua morfina de cada dia.
Exatamente por isso você precisa manter os dois lados da realidade adormecidos.
Vida e morte que encontram-se entrelaçadas como o mais fino barbante, a única forma de te salvar é também o caminho para o fim. Seu veneno agridoce.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Mude (se puder)
O fato é que não importa o quanto eu mude nunca eu vou ser o que eu gostaria de ser, nunca eu vou ter o que eu gostaria, então mudar é inútil, pq quanto mais eu mudo (as coisas) mais eu quero/preciso mudar.
Nem planos eu faço mais, pois eles são destruídos rapidamente, como castelos de areia desmanchados pela furia de uma onda forte. Hoje eu posso dizer que eu não espero nada da minha vida, NADA DO FUTURO, então eu não deveria me sentir MELHOR?
Só o que eu sinto é a inutilidade aflorar, a desmotivação. Tanto faz se é algo bom ou ruim que vai acontecer daqui a dois minutos, horas ou dias, estou profundamente mergulhada no vazio, e nada vai de fato me atingir, independentemente da intensidade com que chega. Talvez isso venha acontecendo à pouco tempo mas é tempo suficiente pra mim perceber que eu sou uma intrusa nesse corpo que eu habito.
Com certeza ele esperava muito mais de mim. O que ele esperava? Que eu fizesse planos e conseguisse executá-los, quando não fosse possível, que eu levasse na esportiva e criasse a oportunidade de me divertir com a desgraça; que eu tivesse sonhos e que conseguisse realizá-los, e se não conseguisse, que eu criasse sonhos ainda melhores pra não perder a esperança. Que eu tivesse fé na vida e soubesse vivê-la, que eu me divertisse com pessoas.
Mas, como eu sou um ser definitivamente ruim, que machuca as pessoas por diversão (pq eu faço o que faço por diversão)...
As pessoas à minha volta não estão bem? Estão se distanciando? TANTO FAZ minha mente diz. Eu não preciso de nada, eu não preciso de ninguém
*querem se afastar? DANE-SE
É, ainda bem que aniversários não duram pra sempre, minha balança já está suficientemente inclinada pro lado negativo.
hahahahahahahhahahahahahahhahahaha ;]
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Espero...
Você está ali parado, olhar desfocado, boca semi-aberta, pensando, NA VERDADE, sem pensamento algum, nada.
De repente, você se vê analisando perspectivas e um sorriso amargo ‘brota’ de seus lábios, porque você se dá conta de que perspectivas não existem quando você não tem nada pra esperar do futuro.
É tudo tão turvo e indetectável, como se você estivesse espiando, tentando focalizar algo, através de uma câmera de lente suja, FOSCA.
Tudo que você gostaria é de ficar perdido pra sempre no balanço do doce movimento nem tão doce assim. Pensar apenas no infinito, não esperar nada do futuro, não ter futuro. Se perder nas horas, sem na verdade saber que EXISTEM horas. Como se o presente estivesse congelado no tempo e nunca se tornasse passado. Nunca enjoar da calmaria, desconhecer a palavra mesmice.
Não esperar pelo amanhã, como se você conseguisse acreditar que ele é incerto.
Viver o eterno hoje, até que o tempo que você não vê chegue e você desapareça, sem deixar vestígio algum, sem saber que acabou, que a sua esperada e ignorada 'tutora' finalmente resolveu reinvindicar sua tutela e você é só uma criança, perdida e sem poder de decisão algum.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
De partida, ou não...
Quando você vai embora, a convicção de nunca mais voltar, de sumir, de desaparecer, é tão grande que você chega a pensar no momento que vai ser de fato capaz de fazê-lo. Então você sai, perambula pelo mundo e retorna cabisbaixo, como um derrotado do medo, o mundo é superior às suas crises e ele não vai dar pause por você. Então, além de derrotado você é impotente.
Você pode decidir partir inúmeras vezes, mas vai retornar de cada uma delas, independentemente da crise ou da gravidade dela, de alguma maneira, foram estabelecidos laços fortes, quase inquebráveis, entre você e aquilo que desconfortavelmente você denomina LAR.
Seu retorno é também sua sina.
Se as coisas acontecessem de outra maneira seu humor seria outro, sua decisão seria outra, pra você alguma coisa seria diferente, mas seria de fato diferente?
O céu não seria mais azul, o sol não brilharia com maior entusiasmo. Mas, o fato de você estar cegado por seus problemas te faria achar que esse foi o primeiro dia de sol depois de anos de chuva.
Porque somos tão dependentes do mundo e ele nada dependente da gente?
domingo, 25 de outubro de 2009
É muita pretesão a minha querer um IMPOSSIVEL FUTURO limpo?
Sem pessoas, sem sons, sem cores, sem aromas, sem vida?
As pessoas me são tão LIXO, assim como outras me são tão necessárias, tá eu confesso u.u
Hoje, pra mim, as pessoas são música.
Dentre elas existem as insuportáveis, que você ouve a ausência de melodia e quebra o aparelho de som pra não ter que tornar a ouvir aquele barulho horrendo, um desarranjo completo.
Existem as que você aprende a gostar meio a contragosto, como se fossem colados headphones no ouvido e de tanto ouvir aquele som 'estranho, diferente' você percebe que tem certa qualidade.
Há aquelas que gostamos por que a gente nasce cantando, e nosssa vida sem elas não seria a mesma vida. Existem ainda outras que são como amor a primeira vista, você ouve, se apaixona, e não para de ouvir até enjoar e quando vc enjoa e deixa ela de lado por algum tempo quando você volta a ouvir, ela se torna ainda melhor.
Então a vida seria trilha sonora?
E que maldita trilha sonora, onde o AXÉ, o FUNK e o PAGODE são os Senhores Supremos.
Maldita Música, MALDITA VIDA!
Quebrem os instrumentos, cortem as cordas vocais...
É melhor não ouvir música alguma do que SUJAR os ouvidos.
domingo, 4 de outubro de 2009
INTERVALO DOLOROSO
Tudo me cansa, mesmo o que me não cansa. A minha alegria é tão dolorosa como a minha dor.
Quem me dera ser uma criança pondo barcos de papel num tanque de quinta, com um dossel rústico de entrelaçamentos de parreira pondo xadrezes de luz e sombra verde nos reflexos sombrios da pouca água.
Entre mim e a vida há um vidro ténue. Por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar.
Raciocinar a minha tristeza? Para quê, se o raciocínio é um esforço? e quem é triste não pode esforçar-se.
Nem mesmo abdico daqueles gestos banais da vida de que eu tanto queria abdicar. Abdicar é um esforço, e eu não possuo o de alma com que esforçar-me.
Quantas vezes me punge o não ser o manobrante daquele carro, o cocheiro daquele trem! qualquer banal Outro suposto cuja vida, por não ser minha, deliciosamente se me penetra de eu querê-la e se me penetra até de alheia!
Eu não teria o horror à vida como a uma Coisa. A noção da vida como um Todo não me esmagaria os ombros do pensamento.
Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio.
Sou tão inerte, tão pobre, tão falho de gestos e de actos.
Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia.
Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge. Então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objectos me pesam por a alma dentro.
A minha vida é como se me batessem com ela.
Livro do Desassossego
Fernando Pessoa
domingo, 27 de setembro de 2009
Infinita
Existem musicas que nos obrigam a pensar e quando se pensa, se destrói e se constrói.
Nossas vidas seguem caminhos diferentes, e nos dói uma separação. Muitos de nós somos movidos pela esperança do reencontro e se não fosse essa esperança? Não se teria motivo pra caminhar e caminhar, pra chegar a lugar algum? Iniciamos a caminhada.
A infinita estrada percorrida por nossos pés e olhos e expectativas, que com o passar das horas e dias consome qualquer sentimento é tão sem fim quanto o prometido, nossos passos vão ficando menores, nossas pernas mais pesadas, o sol que nos queima o rosto também nos traz sede, e o fim se perde no horizonte.
Os anos passam e a gente continua tão sozinho como antes, nossa companheira é muda, insensível e amargurada e nós nos tornamos também. Quando se passa muito tempo em silêncio ele se torna algo mais útil, desaprendemos a conviver com humanos, e sua companhia se torna intragável, são tão falantes e argumentativos e só o que gostaríamos de ouvir é o silêncio.
A estrada nos moldou a seu perfil.
Vivemos por viver e à tempo destruimos a esperança de um reencontro, e caminhar pra chegar a lugar nenhum é agora nossa motivação, aquilo que foi o motivo do início da nossa 'aventura' é agora o motivo da nossa fuga. Iniciamos com a esperança de um reencontro e não paramos por temer esse reencontro, andamos e andamos até o fim, o nosso fim.
sábado, 19 de setembro de 2009
Sabe, quando se determina o que falar, fala-se tudo exceto aquilo que realmente se gostaria de dizer.
Mascarando ideias pra que elas pareçam menos cruéis, para que sejam melhor absorvidas. Mas por quem?
Então, pra que falar?
Criar histórias, devaneios de uma mente imprestável.
Criar histórias para se convencer de que elas são mais divertidas do que a realidade.
Criar histórias pra enganar.
Criar histórias como se fossem um desafio, um enigma a ser desvendado, histórias as quais fornecem uma palavra-chave, o inicio da investigação.
Criar histórias pra demonstrar satisfação. Mas e o sentimento real? É de fato satisfação?
Criar histórias pra afastar.
Criar histórias por criar.
Criar histórias.
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Destruir verdades.
Destruir verdades pra se redimir.
Destruir verdades pra se divertir.
Destruir verdades, destruir.
Destruir verdades pra não ter o que lembrar, destruir aquilo que nos dói, destruir por não querer explicar, destruir é também não se importar, destruir é disfarçar.
Destruir verdades é criar uma nova mentira, é tornar os fatos menos idiotas, é criar uma verdade, uma verdade que seja mais interessante do que a antiga verdade.
Destruir verdades por destruir.
Destruir verdades.
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Construir ou Destruir?
Destruir pra construir.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Inevitável
E as sensações de perder o tempo me rondam, pessoas indispensáveis se tornam intragáveis. Talvez o culpado nem seja de fato o tempo, talvez o problema seja as cicatrizes que uma decepção causa, o desgaste da convivência.
Talvez o que mude seja nossa visão de mundo, nossas prioridades e então, vemos que nossas queridas pessoas, se tornam completas estranhas, apenas pessoas.
E embora você sinta que está chegando ao fim (uma amizade, um amor, um laço qualquer), embora você sinta que o distanciamento está acontecendo, você não faz nada para que isso mude, você não se importa que isso aconteça, ou talvez você se sinta incapaz de interferir.
E então, o eterno, se torna acabável e fim.
E então, o que resta são memórias, passado que te atormenta, uma ferida mal curada que lateja quando tocada.
Por que as coisas chegam ao fim? Por que tão rapidamente?
Até que um dia, você reencontra o estranho, antes adorada pessoa, e percebe que ela é tão boa quanto antes, tão interessante quanto antes, tão normal quanto antes.
Mas você não é o que era antes.
Então que seja eterno enquanto dure.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Histamina?
O caminho que eu trilho me leva a um único local embora a estrada que meus pés percorrem seja farta de encruzilhadas, atalhos, desvios, de que adianta?
Meu local de chegada já é determinado e qualquer rua que eu escolha me levará até lá...
E eu, não tenho um motivo sequer pra modificar meu fim, e de fato, resolveria alguma coisa eu QUERER?
Não se deve insistir em fugir daquilo que já está determinado, não é questão de conformismo, é senso de realidade.
Em dados momentos é tudo tão obscuro (ou seria claro?).
A mente, existe algo mais nebuloso?
Por que os nossos nobres operários de repente entram em combate?
Qual a causa? Má remuneração? Excesso de trabalho? Birra?
Então, quem na verdade é o chefe?
Nós, pobres e impotentes humanos ou nossos neurônios?
Os operários que podem nos levar a falência com seus combates?
Somos o chefe que não comanda...
Se nossos neurônios tiverem preguiça, UAU² quanta histamina *.*
Olha ela nos possuindo!
Loucos, LOUCOS por que nossos operários decidiram ficar VAGABUNDOS ¬¬'
A diferença entre a loucura e o esquecimento é meramente histamina.
Ah histamina que me falta, memória que não existe, fato que eu não conheço, mas onde eu estou? O que eu estou fazendo aqui? O.O
Qual o seu destino? Esquecimento ou loucura? Quer escolher? Ah, sinto muito, essa escolha não te pertence ;]
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Ah, eu quero...
Sinto vontade, vontade de escrever, vontade de falar, vontade de debochar, vontade de abraçar, vontade de me revoltar.
Sinto vontades, vontades que me consomem embora seu tempo de existencia seja minino. Aquelas malditas vontades, o querer de um algo sem saber o que esse algo é, é tatear no escuro o desconhecido querer.
Tenho vontades, frutos de outras vontades adiadas, insaciadas.
Vejo vontades insaciaveis de repente dissiparem-se, como o raio que atinge o vazio e some, sem causar dano qualquer. Vejo o tempo passar e vontades que um dia foram VONTADES se tornam um desejo pequeno, esquecido ali numa das tantas prateleiras abarrotadas de passado.
Tenho vontade daquilo que eu sei mas não posso, vontade daquilo que não existe mas minha mente cria.
VONTADE, somente vontade.
Sinto vontades, vontades que me consomem embora seu tempo de existencia seja minino. Aquelas malditas vontades, o querer de um algo sem saber o que esse algo é, é tatear no escuro o desconhecido querer.
Tenho vontades, frutos de outras vontades adiadas, insaciadas.
Vejo vontades insaciaveis de repente dissiparem-se, como o raio que atinge o vazio e some, sem causar dano qualquer. Vejo o tempo passar e vontades que um dia foram VONTADES se tornam um desejo pequeno, esquecido ali numa das tantas prateleiras abarrotadas de passado.
Tenho vontade daquilo que eu sei mas não posso, vontade daquilo que não existe mas minha mente cria.
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