domingo, 7 de março de 2010

Tantos risos combinados e descombinados, palhaçadas alheias sem graça qualquer.
Um palhaço ao centro do palco, um coro escarnecedor, salvas de palmas.
É engraçado que a companhia nos traz o ar da graça. Ver outro alguém acompanhado rindo de algo que você achaRIA engraçado é revoltante, assim como achar revoltante é inexplicável pq vc não tem direitos autoriais sobre o riso, a piada ou o que quer que seja.
OU
Ser algo diferente de você mesmo e entrar na brincadeira e rir insanamente. Rir da coisa mais insignificante apenas por cortesia aos seus amigos(?!). Ou até mesmo ser o palhaço e fazê-lo com perfeição, ser o motivo do riso e não se importar com isso.

Como eu gostaria de ser tão hipócrita, ah como eu gostaria de ter mil máscaras com entalhes brilhantes diferentes pra cada ocasião.
HAHA.
Tem gente que consegue ser sem nem mesmo saber que é.
Mas não o ser me faz totalmente indisposta a pronunciar minha opinião por que esta será retransmitida por uma boca imunda que faz com que minhas observações mais obscuras pareçam composições de música clássica.
E o meu papel original de vilã é substituído pelo da mocinha desarmada e inocente.
O tempo aquele que me aproxima da morte a cada milésimo de segundo, eu que me perco dele, eu que me perco nele. O desespero caminha sorrateiramente ao meu lado, como querendo me possuir e eu nem sempre disponho de forças para expulsá-lo, deixe que me possua, que me consuma, que me extinga.
Deixe que a razão me falte, que minha determinação pereça e que finalmente o chão se abra sob meus pés e que a terra me tome e faça de mim parte dela.
Pra que dela e de mim nasçam outras vidas que façam algum sentido, o sentido que a minha jamais ousou encontrar, perseguir, realizar.
Que a nova vida que brota não seja abençoada com desgraça semelhante à minha própria.
Se não por que nascer? Mais um coração gélido, morto, inutil.
Mais sonhos acumulados na grande caixa de descartes da vida.
Mais escuridão assombrando dias que deveriam resplandecer de luz.
Mais verdade contaminando os pensamentos outrora felizes dos tolos.
Mais lacunas surgindo onde antes predominava o saber, a verdade.
Diversos tipos de caos, todos com a finalidade de mostrar ao cego os primeiros raios de luz uma luz que na verdade é a escuridão.
Que o mundo me expulse enquanto ele pode fazê-lo...