terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A receita

Vida, aquela cujo sabor se concentra em nossos paladares quando nos sentimos ameaçados de qualquer maneira.

Ah, o inconfundível sabor agridoce, recheado de possibilidades, que só está ali para nos provar que nada é de todo ruim, e que mesmo o amargo possui em sua essência o leve toque do doce.
É como limão e sal, como a mistura perfeita do ácido e da base, pura reação química.

Ela foge às leis dos homens que querem etiquetar todos os condimentos, alimentos, sofrimentos, só para se sentirem mais DONOS das receitas, existem condimentos r(c)aros, os quais arremata quem pagar o maior absurdo em notas de 100 e 50 reais, só para se sentirem mais privilegiados.
Temos também a tolice, a consequência da riqueza, aquela coisa que faz dos ricos esnobes, com seus restaurantes franceses, italianos, japoneses, que se sentem seguros em pagar muito por algo que até um vendedor de cachorro quente faz.
Espero que um dia, o bicho homem entenda que vida é pegar tudo que se tem na geladeira, acrescentar uma pitada de emoção e curtir a sensação.
Queime, rasgue, destrua...
(...seu livro de receitas porque não há nada melhor do que aquela torta de improviso feita por mãos de um desastrado cozinheiro)


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Velocidade

Que Deus permita que eu não chegue até a velhice, ansiando diariamente pelo fim , um fim que nunca chega, uma espera que faz do desespero um ser gritante, sentir o peso da idade curvar minhas costas, o oxigênio percorrer devagar o corpo, os pulmões enrijecerem.
Ver o filme da vida passar em minha mente, relembrar momentos que um dia me fizeram a pessoa mais feliz do mundo, mas hoje, só fazem aumentar o meu desespero, querer gritar e não poder, o mundo me transformou em um ser silencioso...
Sentir que a vida passou, tão escorregadia que te deu muitos e muitos tombos, mas quando você finalmente se pôs em pé e adquiriu equilíbrio, ela já tinha atingido seu escopo e você, foi nada mais que um ser devoluto.
Nós somos fantoches de uma peça teatral, manipulados de acordo com o ritmo da música e sua necessidade de agitação, mudamos de acordo com a velocidade da batida, nos adequamos às necessidades da peça, superamos desafios, percorremos caminhos difíceis e dolorosos, porém necessários, e isso nos transforma, deixamos de ser fantoches e nos transformamos em estrelas, mas mesmo as estrelas deixam de brilhar um dia, sua resplandecência é fugaz...
E quando o ultimo suspiro nos atinge, percebemos que o sacrifício não valeu à pena, o brilho durou apenas milésimos de tempo...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ah, o tempo, aquele capaz de tornar acentuadas as tendências, de destacar, de tornar o fútil interessante. Comprova a quem dele prova, ser o melhor remédio.
Reflete em nossos atos erros do passado, pra nos mostrar que mudanças são apenas uma questão de oportunidade, e oportunidades são possibilidades criadas por nós mesmos para redimir nossos erros.
O tempo, aquele que passa depressa, fazendo nossos cabelos branquearem e nossa respiração ficar pesada, ao mesmo tempo, é aquele capaz de trazer sabedoria no decorrer de sua principal unidade, os anos.
Aquele que nos faz degustar o sabor amargo da dor, como que paralisado com o ácido em nossas entranhas, a queimar tudo por dentro, é também o que corre veloz ao sentir a doçura do amor, como que tentando consumi-lo o mais breve possível.
Diz-se do tempo: 'É algo capaz de curar qualquer ferida', mesmo sem conhecer sua profundidade e extensão, mesmo sem saber o tamanho da devastação...
Ai, de repente você para e chega à conclusão de que o tempo, nem é tão cruel assim, ele pelo menos te permitiu chegar aonde você está, te permitiu sonhar, mesmo que por pouco tempo...