domingo, 20 de junho de 2010

(impo)Tente

Dias, malditos dias, onde a calmaria é prenúncio do fim. Vontades esvanecidas, perdidas. O fardo da vida que torna-se cada vez mais pesado...
Minhas costas curvadas já não suportam mais carregar, minha alma padece, meu corpo apodrece. Não quero mais, não quero pessoas, não quero futuro, não quero presente, não quero passado, não quero VIDA.
Meu peito dói mas a dor se torna tão insignificante perante a grandeza de todas as outras coisas que eu me sinto ridícula apenas pelo fato de sentir.
Mas hoje eu vou ser ridícula por mim mesma, não vou usar os outros, hoje sou só eu.
Eu e o tempo.
Eu e a impotência.
Eu e a solidão.
Eu e a dor.
Eu e a morte.
A morte e eu.
Só eu.
Porque o precipício para a qual eu deveria estar caminhando não existe mais, estar vivo é punição melhor.
Gritos, revoltas, loucuras, grito, dor, loucura, solidão.
A fase de desespero é a última sobriedade (ou deveria ser), mas aqui neste mundo cintilante, apitante, sufocante; a sobriedade não te abandona, ela é a sua mais insensata loucura.
Eternamente louco, constantemente sóbrio.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Who?

Ah se eu tivesse o tempo que um dia eu tive. Eu me prometi nunca mais fazê-lo mas se eu fosse capaz de cumprir esta promessa eu não saberia mais quem sou eu.
Palavras me faltam e sempre irão me faltar, porque elas morreram.
Um fim precoce, desnecessário.
Gestos, atitudes, tanto que eu poderia e deveria ter feito, hoje o alheio é meu lar, minha melhor recordação, daquilo que foi espezinhado por mim. Sorrisos, tristeza, caras e bocas, apenas estranhos.
Mas estranhos tão familiares. Você como um todo já não há, mas minúsculas partes suas no todo alheio faz dos diversos alheios o meu todo de você.
Como milhões de ladrilhos brilhantes de um todo explodido, desfigurados, agregados a um todo de um tolo qualquer.
Hahahahahahahaha
É engraçado porque no passado as descrições arrancavam sonoras gargalhadas, hoje apesar de não ter do que rir, quem descreve sou eu e o descrito é você.
Porque o eu não tem mais você.
Porque o nós não tem sem você
Por que vós não sois mais você.
Porque você?