quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ou?

Mesmo que você seja livre você se sente sufocado, como se tivesse uma coleira muito, muito apertada ao redor do pescoço presa em uma corrente invisível, impossível, que te aprisiona naquele lugar ao relento.
Enquanto a chuva cai e te faz sentir na pele cada gota de umidade, te deixando desconfortável como um gato tomando banho.
Além disso, cada raio de sol que te toca, é como se estes abrissem fendas que se iniciam na superfície e se aprofundam a ponto de transpassar pele, músculos, ossos e musculos e pele novamente; te deixando tão cheio de buracos quanto um queijo suiço.
É como se as alterações climáticas refletissem a fúria na sua pele desprotegida e sensível. Mas não é bem esse o ponto.

Porque escolhas não são coleiras e situações não são um reflexo do próprio sol/chuva contra as alterações ambientais induzidas pelo homem na sua pele que apenas carrega a culpa parcial por tudo.
Talvez o próprio culpado seja você, um maldito masoquista que não perde qualquer oportunidade de adquirir um hematoma, ou de espalhar um vidro de ácido concentrado na sua pele só pra ver o quão rápida é a ação corrosiva dele. Ou seja, visualizar cenas do teu ex-presente, o que poderia ter sido se...
O quão diferente seria se existisse tolerância, alias, um bom bocado de tolerância.
Ainda não é o ponto.
Olhar pras pessoas felizes e não entender de onde essa felicidade seria possível, porque ela não é verdadeira, não pode ser. Ou...
Ser tão pateticamente satisfeito por nada.