Existem musicas que nos obrigam a pensar e quando se pensa, se destrói e se constrói.
Nossas vidas seguem caminhos diferentes, e nos dói uma separação. Muitos de nós somos movidos pela esperança do reencontro e se não fosse essa esperança? Não se teria motivo pra caminhar e caminhar, pra chegar a lugar algum? Iniciamos a caminhada.
A infinita estrada percorrida por nossos pés e olhos e expectativas, que com o passar das horas e dias consome qualquer sentimento é tão sem fim quanto o prometido, nossos passos vão ficando menores, nossas pernas mais pesadas, o sol que nos queima o rosto também nos traz sede, e o fim se perde no horizonte.
Os anos passam e a gente continua tão sozinho como antes, nossa companheira é muda, insensível e amargurada e nós nos tornamos também. Quando se passa muito tempo em silêncio ele se torna algo mais útil, desaprendemos a conviver com humanos, e sua companhia se torna intragável, são tão falantes e argumentativos e só o que gostaríamos de ouvir é o silêncio.
A estrada nos moldou a seu perfil.
Vivemos por viver e à tempo destruimos a esperança de um reencontro, e caminhar pra chegar a lugar nenhum é agora nossa motivação, aquilo que foi o motivo do início da nossa 'aventura' é agora o motivo da nossa fuga. Iniciamos com a esperança de um reencontro e não paramos por temer esse reencontro, andamos e andamos até o fim, o nosso fim.
